Quais as consequências econômicas de uma vacina contra o coronavírus?

31/08/2020 03:02

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Por mais que a economia global esteja em uma trajetória de recuperação, sugerindo um recuo menos intenso do Produto Interno Bruto (PIB) do que se pensava no auge dos temores do mercado com a pandemia do coronavírus, há uma visão praticamente estabelecida que apenas com uma vacina ou um remédio muito eficaz contra a Covid-19 pode levar ao retorno pleno de todas as atividades econômicas.

“As medidas de distanciamento social permitem grande flexibilização dos setores, mas esses seguirão crescendo abaixo do potencial sem uma solução definitiva para a doença”, destacou a equipe de análise econômica do Bradesco em análise recente.

Nouriel Roubini, presidente-executivo da Roubini Macro Associates, foi ainda mais longe e, em entrevista à Bloomberg Television, destacou que a forma da recuperação da economia global, que alguns previram ser em formato de “V”, está se tornando um “U” e pode até se tornar um “W” (ou seja, há um risco de recuperação lenta ou mesmo de outra queda ao longo do caminho). A solução para esse cenário não persista, além de estímulos, é justamente uma vacina.

Na mesma linha, Angela Merkel, chanceler da Alemanha (a maior economia da Europa) exortou os cidadãos do país a não baixarem a guarda contra o coronavírus. Relativamente, o país tem conseguido manter número de casos e mortes de Covid-19 baixo – contudo, o número de infecções diárias novas vem aumentando desde o início de julho, o que fez Merkel reforçar a avaliação de que a vacina é crucial para a volta à normalidade.Por isso mesmo, não foi incomum ver que, nos últimos meses, o anúncio sobre o desenvolvimentos de vacinas e de tratamentos contra a Covid-19 mexeu com os mercados. Para citar apenas um exemplo, em meados de julho, a notícia de testes promissores de vacina da Moderna contra o coronavírus foi um dos gatilhos para o Ibovespa subir 1,34% na sessão.

A própria ação da Moderna sobe mais de 260% no ano em meio aos avanços com a vacina.As notícias são promissoras: sete potenciais vacinas contra o coronavírus estão em estágio avançado de testes ao redor do planeta, representando uma esperança no cenário de uma doença que já ceifou a vida de mais de 800 mil pessoas pelo mundo.

Apenas depois desta fase é que se pode fazer um registro sanitário. Enquanto vários especialistas questionaram a provável eficácia da vacina que obteve aprovação regulatória na Rússia durante este mês, outras vacinas estão sendo desenvolvidas separadamente nos Estados Unidos, Europa e Ásia, sendo que a maioria dos especialistas acredita que uma vacina pode estar disponível até o final deste ano ou no primeiro trimestre de 2021.

Assim, a vacina é muito importante para a retomada. Contudo, ainda há muitos desafios no radar após ela ser desenvolvida. É o que aponta Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics, em relatório, em que ressalta: a questão para a volta da economia global à sua plena normalidade não é apenas ter ou não uma vacina.

“A velocidade de desenvolvimento foi notável. Até agora, o tempo mais curto para desenvolver uma vacina contra um novo vírus tinha sido de quatro anos. Agora parece que uma será desenvolvida em 12 meses, o que poderia transformar a batalha contra a Covid-19.

Porém, os efeitos econômicos de uma vacina serão governados por três fatores”, avalia o economista. São eles, I) eficácia, ii) velocidade de produção e ii) distribuição.

InfoMoney

Por Thaís Rizério